A Lei do Funil

Larga para alguns (poucos), estreita para todos os outros!

Aqui se fala, umas vezes a sério outras a brincar, de coisas que nos irritam, alegram, entristecem ou, muito simplesmente, nos enfadam.

2012-05-19

Não restam dúvidas Passos Coelho: a crise é uma oportunidade...

crise-2 (60K)

«Não restam dúvidas: a crise é uma oportunidade.
  • Graças à crise, uma trabalhadora precária pode ser dispensada duma empresa onde não tem direito a férias para outra onde não tem licença de maternidade.
  • Graças à crise, um bolseiro pode libertar-se de sonhos de estabilidade e fazer uma bolsa suceder a outra e a outra, ou pode mesmo sair da sua zona de conforto onde estava irresponsavelmente instalado e emigrar.
  • Vamos_ter_de_cortar_pessoal (15K)
  • Graças à crise, uma funcionária administrativa desempregada pode mudar de vida e tornar-se empregada doméstica ou cozinheira no centro de dia da Misericórdia.
Mas para outros a crise não é uma oportunidade virtual, está já a ser uma imperdível oportunidade. Veja-se o caso das empresas cotadas no PSI-20.

  • Graças à crise, o ano de 2011 foi o ano com melhores resultados de sempre para a EDP, a Jerónimo Martins e a PT tiveram lucros de 340 milhões de euros (para a primeira, isto significou um aumento de 21% relativamente a 2010), a REN teve lucros de 120 milhões de euros (mais 9,5% do que o ano passado) e a Sonaecom teve um crescimento de lucros de 51,8%.
Quem pode pois duvidar seriamente de que a crise é uma oportunidade?
que_crise_tao_pesada (53K)
Oportunidade, note-se, muito bem aproveitada pelos presidentes executivos da grande maioria dessas empresas. Em média, a oportunidade cifrou-se num aumento das suas remunerações pessoais - de que mais de um terço foram "prémios de gestão" - em 5,3% relativamente a 2010 e com seis casos de aumento remuneratório de dois dígitos percentuais.

Prémios de gestão absolutamente justificados, aliás:
  • graças à crise e à gestão que dela souberam fazer nas suas empresas estes bem-sucedidos executivos, os custos com pessoal foram reduzidos, em média, em 11%.
Cá está, gestão estratégica e moderna é isto mesmo.

Para que os prémios possam ter tido o aliciante valor que tiveram, houve que ser firme na redução dos salários dos trabalhadores e arrojado na contratação de outros com baixas remunerações.
Que_foi_olha_a_crise (184K)
Exigência cumprida com pleno êxito.

E assim se cria uma diferença altamente estimulante: em média, os presidentes executivos das empresas cotadas no PSI-20 passaram, em 2011, a ganhar mais 44 vezes do que os seus trabalhadores (a prova que souberam aproveitar a oportunidade que é a crise é que em 2010 essa diferença era apenas de 37 vezes). (...)»
José Manuel Pureza



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