A Lei do Funil

Larga para alguns (poucos), estreita para todos os outros!

Aqui se fala, umas vezes a sério outras a brincar, de coisas que nos irritam, alegram, entristecem ou, muito simplesmente, nos enfadam.

2010-01-19

"Número desconhecido" no telemóvel é quase como alguém bater à nossa porta encapuzado

telemovel-da-nos-o-mundo-para-a-mao (26K)
Bagão Felix é um homem com quem eu, normalmente, não concordo. Mas isso não significa que, por vezes, não exprima ideias ou sentimentos que me dizem alguma coisa. É o caso deste apontamento que BF faz no Diário Económico sobre o vício que algumas pessoas têm de nos telefonar escondidas atrás do anonimato. Só muito excepcionalmente se justifica tal prática e, no que me diz respeito, só mesmo muito excepcionalmente atendo uma chamada dessas. E só o faço se estiver preocupado a aguardar qualquer chamada importante...

«(...) Qualquer pessoa está no direito de não querer explicitar o seu número de telefone. Mas terá que perceber que, em contrapartida, pode ficar sem resposta.

De facto, trata-se de uma relação desigual e ‘unfair' de dois pesos, duas medidas. Uma das partes sabe com quem quer falar mas não se dá previamente a conhecer. (...) É um jogo em que uma das partes se esconde. (...)

Poder-se-á argumentar que no tempo dos velhinhos telefones fixos sem ecrã também ninguém sabia quem era o interlocutor do outro lado da linha. É verdade, mas não podia ser de outro modo. Era universal. Além de que o próprio acto de fazer uma chamada telefónica, era, ainda, um acto algo selectivo.

Mas hoje não. A universalização da posse e uso do telemóvel leva a que quase tudo se trate por esta via. Generalizando, é como se o telemóvel estivesse para as relações entre as pessoas como antes estava o encontro directo e pessoal. Quase faz parte de nós. Mais uma razão para ser uma relação aberta, equilibrada, sem paredes, sem biombos. Por isso, o "número desconhecido" é quase como alguém bater à nossa porta encapuzado... O paradoxal é que conheço quem não prescinda deste capuz, mas depois nas redes sociais como o Facebook expõe e divulga ‘urbi et orbi' a sua intimidade...

Quando falo deste assunto, há quem me diga que tem o mesmo significado de uma pessoa não revelar o seu número nas agora mais dispensáveis listas telefónicas. Não concordo. Uma coisa é alguém não querer que o seu número seja público e assim evitar alguns contactos. Outra bem diferente é não se identificar previamente quando toma a iniciativa de contactar alguém!



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